Bitcoin e companhia – um pequeno guia

Com notícias como “o rompimento da bolha – bitcoins voltam a cair e têm menor valor desde novembro” ou “o preço do bitcoin vive a sua pior semana desde 2013” ou “Bitcoin continua em queda vertiginosa e agora vale menos de US$ 6 mil”, o bitcoin (existe uma diferença na grafia bitcoin e Bitcoin, dê uma olhada aqui) voltou a ser comentado no mundo inteiro.

Em dezembro de 2017 o bitcoin atingiu seu maior valor desde quando começou a ser utilizado como moeda de troca em 2009, mas agora o valor do bitcoin está caindo rapidamente e o mundo inteiro está de olho. Se você não sabe muito bem o que é bitcoin, blockchain e o que significa minerar bitcoin, dê uma lida nesse blogpost, que explicamos detalhadamente o que esses termos querem dizer.

O bitcoin surgiu em 2008 por uma pessoa ou um grupo de pessoas que usava o pseudônimo Satoshi Nakamoto.

Bitcoin é, assim como o Euro ou o Real, uma moeda. Do inglês, “coin” significa “moeda” e “bit” é uma simplificação de “binar digit”. Esse “binar digit” significa “dígito binário” e é a menor unidade de informação que pode ser processada por um computador. O bitcoin é representado por um B maiúsculo com dois riscos no meio.

Ainda que o bitcoin pode ser comparado à uma moeda, existem algumas diferenças entre ele e moedas impressas. Primeiro de tudo o bitcoin é uma moeda virtual (uma criptomoeda), então ela não existe em papel e provavelmente nunca existirá (a não ser que alguém comece a imprimir notas de bitcoin). Outra coisa é que o bitcoin foi descrito pelo seu criador como uma tecnologia peer to peer. Peer vem do inglês e significa igual, fazendo do bitcoin uma moeda para transações de igual para igual. Isso se quer dizer que nas transações financeiras não há a interferência de um banco ou alguma outra instituição. Por exemplo, quando eu compro um chocolate na loja de doces do meu bairro e pago com o meu cartão, existe uma instituição que valida essa compra feita por mim. O banco presta atenção para que eu não pague o chocolate cinco vezes ou para que não aconteça qualquer outro erro técnico durante a transação. Depois ele ainda autoriza a liberação do dinheiro para o dono da loja. No bitcoin não existe isso, existem eu e o dono da loja (igual para igual). Eu dou o meu dinheiro diretamente para ele, sem interferência de uma instituição. Esse procedimento se assemelha à compra em dinheiro vivo, porém, é feito exclusivamente pela internet, porque o bitcoin é uma moeda virtual. No mundo bitcoin também não existem cartão de crédito ou débito.

Agora você deve estar se perguntando como esse procedimento é assegurado e a resposta para essa pergunta é: Blockchain.

 

Algumas criptomoedas que atualmente estão em circulação.

 

 

Blockchain

O termo blockchain também vem do inglês e é a junção das palavras block e chain. Block significa bloco e chain é o mesmo que corrente, então blockchain é uma corrente de blocos. Você vai ver que o termo é bastante autoexplicativo uma vez que conseguir entender como a blockchain funciona.

Antes de nos aprofundarmos na blockchain, vale ressaltar uma coisa: quando um pagamento é feito em bitcoins, você consegue comprar coisas com fragmentos de bitcoins. Pense assim, se um bitcoin vale R$ 5000,00 e você quer comprar uma cadeira que custa somente R$ 1000,00, então você pagará 0,2 BTC. O menor fragmento de bitcoin é de 0,00000001 BTC e é chamada de Satoshi. Dito isso, vamos explicar a tecnologia da blockchain.

Bom, agora vou comprar chocolates numa loja online pelo preço de 0,00365811 BTC (dá para fazer a conversão de BTC para Real aqui). Aí me surgem várias dúvidas! Como a segurança dessa transação com a loja é garantida? Como a loja vai ter certeza que eu estou enviando o valor correto? Como eu vou ter certeza que não estou pagando duas vezes sem querer? E principalmente, como confiar num método desses que não é regulado por nenhuma instituição? Ainda mais sabendo que (não é o caso dos chocolates) algumas vezes eu posso tratar com uma pessoa desconhecida, pois existem transações que são feitas anonimamente (para comprar os próprios bitcoins, por exemplo, algumas transações são anônimas).

Com a blockchain tudo fica muito simples e seguro, pois ela serve para garantir que ninguém irá pagar duas vezes por algo e que o valor que eu estou dizendo enviar, realmente está sendo enviado.

A blockchain funciona como um livro-caixa que registra todas as operações que já foram feitas com o bitcoin no mundo inteiro desde o seu surgimento. A grande sacada disso é que cada transação precisa ser validada e essa validação pode ser feita por qualquer pessoa do mundo, não precisa ser feita por um banco. E porque uma pessoa iria querer validar uma compra com a qual ela não tem nada a ver? Simples, porque a pessoa ganha alguns fragmentos de bitcoins cada vez que consegue validar um bloco da blockchain. Isso possibilita a criação de novas unidades de bitcoin. O processo de validar uma compra é chamado de mineração de bitcoins, pois é muito complicado conseguir minerar fragmentos de bitcoins, semelhante ao processo de mineração de ouro.

Ainda sobre a blockchain, ela é uma corrente de blocos. Uma vez que informações são adicionadas aos blocos, fica quase impossível alterá-las. Cada bloco contém três coisas: dados sobre várias transações, o hash do bloco imediatamente anterior e o hash do próprio bloco. Os dados sobre as transações dependem do tipo de blockchain, na blockchain do bitcoin estão o comprador, o vendedor e a quantidade de bitcoins trocada. O hash é algo semelhante a uma impressão digital, cada bloco tem um único hash e se as informações dentro do bloco são alteradas, o hash também muda. Com a adição do hash do bloco anterior às informações das transações, é calculado o hash do bloco atual, somando assim os três componentes de cada bloco.

 

Exemplo de três blocos que compõe a blockchain, interligados pelos hashs.

 

O hash é a impressão digital e uma espécie de assinatura de autenticidade para o bloco atual e o anterior. Uma das características de segurança é incluir o hash do bloco anterior no bloco atual, pois se o hash de algum bloco é modificado, esse pode ser facilmente invalidado. Mas a segurança da blockchain se dá por mais um motivo. Para mitigar o fato que os computadores mais modernos conseguem calcular centenas de hashs por segundo, foi criado um mecanismo chamado proof-of-work (ou P.O.W.). Esse mecanismo permite a criação de um bloco novo depois de 10 minutos em que é gerado um problema matemático muito complexo, que o computador precisa resolver para que consiga validar aquela transação de bitcoins. É na composição do hash com o P.O.W. que a blockchain se torna tão segura e forte, pois para quebrarem ela, um computador precisaria calcular todos os P.O.W.s da cadeia inteira para ter acesso aos dados de compra e venda e isso em um tempo curto, já que a cada 10 minutos um novo bloco é adicionado à blockchain.

Talvez em algum momento existam computadores tão potentes que consigam resolver essas operações de uma só vez, mas por enquanto a blockchain é uma alternativa super segura e confiável.

 

Mineração? Vale a pena?

Atualmente existem cinco maneiras de conseguir bitcoins: comprá-los em uma plataforma online, aceitá-los como pagamento, comprar bitcoins diretamente de uma pessoa, utilizar faucets (sites que oferecem bitcoins em troca de alguma tarefa) ou minerar bitcoins.

A mineração de bitcoins funciona basicamente assim: quando um novo bloco é aberto com transações novas, é gerado um problema matemático. Os computadores dos mineradores têm que resolver o problema o mais rápido possível, pois há uma verdadeira disputa de quem consegue desvendar o problema primeiro. Por isso não é recomendado minerar bitcoins sozinho e sim juntar-se a um grupo de mineradores para depois partilhar os ganhos entre todos. Quando um computador (ou uma rede de computadores) tiver desvendado o problema, o resultado é validado pelos outros mineradores e se tiver tudo correto o vencedor ganha alguns fragmentos de bitcoin. Caso o computador não consiga resolver o problema em dez minutos, ele passa automaticamente pro próximo problema até o fechamento do mesmo.

Porém minerar bitcoins é muito caro e requer um investimento grande (aqui e aqui), já que os problemas matemáticos criados são muito complexos e vão ficando cada vez mais complexos com o passar do tempo, pois a blockchain é programada para aumentar de dificuldade conforme a demanda. Além disso tudo, várias máquinas estarão tentando resolver o mesmo problema ao mesmo tempo e a que conseguir resolver o problema primeiro ganha. É impossível minerar bitcoins com um computador comum e existem máquinas específicas para realizarem essa tarefa. Por outro lado, verificar se o problema matemático foi resolvido corretamente é rápido e não tem muitos custos. Um exemplo ótimo é o jogo Sudoku, porque resolver um Sudoku com poucos números é muito difícil e requer mais tempo. Mas para verificar se o Sudoku foi preenchido corretamente é muito simples, porque é só somar as colunas e ver se a soma está correta.

 

Celulares da marca Samsung minerando bitcoins.

 

Como já falamos anteriormente, minerar bitcoins permite que novas unidades sejam criadas e disponibilizadas para uso e se você ficou se perguntando se os bitcoins nunca mais vão parar de serem produzidos, não se preocupe porque um dia eles não serão mais criados! Segundo o algoritmo do bitcoin podem existir 21 milhões deles no mundo, depois disso não terá mais mineração de bitcoin. O último bitcoin deve ser distribuído em 2140 e atualmente o minerador que conseguir validar o bloco recebe 12,5 bitcoins.

 

Se você ainda não sabia muito bem o que era bitcoin ou blockchain, esperamos que esse artigo tenha te ajudado a entender melhor. Se você é dono de alguns bitcoins, confira aqui alguns lugares no Brasil onde você pode pagar com eles e aqui ainda tem um vídeo legal (em inglês) que fala o que as gírias do mundo do bitcoin significam (aqui também tem um glossário em português para consulta).

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